Debates

Este é um espaço para debates. Segurança Pública e Polícia são temas explorados comercialmente e pouco discutidos com seriedade. A midia usa o tema como produto para atrair patrocinadores e audiência. Espetaculariza "a desgraça" humana por total falta de criatividade. Os noticiarios se especializaram em mostrar gente chorando, sofrendo, morrendo, em hospitais, cemitérios, ruas e por todos os lados.
Enquanto isso, a população e sua polícia se olham desconfiadas como se uma não dependesse da outra e não estivessem visceralmente vinculadas. Algumas pessoas passam por segurança pública por alguns momentos de suas vidas. Propõem e fazem experimentos e depois encontram algo melhor que fazer. Enquanto isso, os profissionais de segurança pública permanecem sendo "estigmatizados" como incapazes, incompetentes, violentos e corruptos.
Durante décadas a sociedade se omitiu em discutir esta questão elegendo dirigentes políticos que fizeram vistas grossas a ocupação irregular de espaços urbanos nas regiões metropolitanas. Agora desejam que a polícia organize esses espaços retirando de lá a violência e a criminalidade como se esses elementos não estivessem relacionados com a ausência do Estado e a total falta de serviços públicos que garantam escola, profissionalização, emprego, cultura, esporte, lazer, respeito e dignidade.
Este é o que me motiva a propor debates. Afinal de contas não estou na segurança pública pela opção temporária. Aqui sempre estive por acreditar que o trabalho policial é nobre e garante ao cidadão seu direito de dispor de um serviço público que lhe proteja.
E é certo afirmar que a polícia brasileira é boa e ruim como são bons e ruins os demais serviços públicos executados pela União, por Estados e Municípios. Para avançar precisamos, antes dos constantes experimentos passageiros, debater.

Notícia indutora do sentimento de insegurança

"O fim da violência dentro do Brasil poderia gerar um adicional de pouco mais de US$ 101 bilhões anuais à economia do país, indica uma análise do Instituto para Economia e Paz, baseado na Austrália. O instituto, que publica anualmente um Índice Global de Paz (IGP), medindo indicadores de segurança e violência no mundo, coloca o Brasil em 83º lugar em um ranking de 149 países (os primeiros do ranking são considerados os países mais pacíficos).
A criminalidade, o número de homicídios, a percepção da violência pela sociedade, a facilidade de acesso a armas de fogo e o nível de respeito aos direitos humanos são apontados como os principais pontos negativos do país entre os mais de 20 indicadores analisados para o índice.
Em uma pontuação que vai de 1 (mais pacífico) a 5 (menos pacífico), o Brasil teve 2,048 neste ano, numa leve piora em relação ao ano passado, quando teve um índice de 2,022. Ainda assim, o país subiu duas posições no ranking em relação a 2009.
Ganho - Índice Global da Paz
1 – Nova Zelândia; 2 – Islândia; 3 – Japão; 4 - Áustria; 5 – Noruega; 71 - Argentina; 83 – Brasil 85 – Estados Unidos; 147 - Afeganistão; 148 - Somália; 149 - Iraque; Fonte: Instituto para Economia e Paz.

Segundo a análise deste Instituto, o ganho potencial para a economia mundial, caso toda a violência no mundo cessasse, seria de US$ 7 trilhões no ano passado, ou 13,1% do PIB global. Para o Brasil, especificamente, o instituto calculou que o PIB brasileiro, que no ano passado foi de aproximadamente US$ 1,57 trilhão, poderia ter sido US$ 101,66 bilhões mais alto sem a violência interna e US$ 8,44 bilhões mais alto sem a violência fora do país.
O estudo diz que os setores que mais teriam a ganhar com o fim da violência interna no Brasil seriam restaurantes e hotéis, comércio e indústria. Juntos, esses setores poderiam gerar um adicional de US$ 50,95 bilhões com a paz interna e externa. Ranking
O IGP deste ano aponta a Nova Zelândia como o país mais pacífico do mundo, seguido de Islândia, Japão, Áustria e Noruega.
Na outra ponta, nas últimas colocações, aparecem Israel, Paquistão, Sudão, Afeganistão, Somália e Iraque, da 144ª à 149ª posição.
Os Estados Unidos aparecem no 85º lugar no ranking, duas posições abaixo do Brasil, enquanto a China aparece na 80ª posição.
Num ranking com apenas os países da América Latina, o Brasil é o 10º mais pacífico.
Vizinhos como o Uruguai (24ª posição no ranking geral), a Argentina (71ª), o Paraguai (78ª) e a Bolívia (81ª) aparecem à frente do Brasil."

Como o Brasil poderia viver sem violência? Por que os Estados Unidos tão admirado e rico está atrás do Brasil? Porque sua polícia não presta?

Engodo.

"S.m. 1. Isca ou ceva com que se apanham peixes, aves, etc. 2. Coisa com que se engoda ou seduz alguém. 3. Adulação astuciosa.Estorvo. S.m. 1. Embaraço, dificuldade, obstáculo, estorvamento. 2. Coisa ou pessoa que estorva.Novo Dicionário Aurélio - Primeira Edição."

O que visam estas afirmativas?

"O sistema de segurança pública do país está falido.”

"O sinal mais claro da falência do Estado."

“Estamos quase chegando ao fundo do poço.”

"A polícia é a que mais mata no país."


Será verdade?


As manchetes abaixo são um engodo?

Polícia salva bebê de forno onde foi colocado pelo pai
17 mar. 2010
Polícia salva bandidos de linchamento
23 abr. 2010 ...
Telefonema para policial salva bebê com 10 dias de vida
3 jun. 2010 ...
Polícia salva 30 cães da raça Shih Tzu maltratados por “tutora ...
24 out. 2009
Diário de S. Paulo - Polícia salva administradora de sequestro ...
29 abr. 2010 ...
Polícia salva mulher que seria suposta vítima do maníaco - Minas ...
19 fev. 2010 ...

Polícia salva ladrão da fúria dos populares
Polícia salva criança de morrer electrocutada - dn - DN
Ladrão fica entalado em porta e chama a polícia para salvá-lo ...

E esta é a mesma polícia?

Polícia mata menino de 15 anos durante ...
27 ago. 2008 ...
Polícia brasileira mata demais ...
2 jun. 2010 ...
Polícia mata líder do tráfico do Calabar em suposto tiroteio - A ...
7 maio 2010 ...
Polícia mata, na Maré, suspeito de assassinar fotógrafo do jornal ...
2 maio 2010 ...
Capitão da Polícia Militar mata a mulher ...
16 mar. 2010 ...
Polícia Militar tortura e mata trabalhador em São Paulo - Brasil ...
17 maio 2010 ...
Policial civil mata um cachorro a tiros dentro de delegacia em ...
19 nov. 2009 ...
Soldado da Polícia Militar atropela e mata pedreiro na Avenida Ceará
11 abr. 2010 ...
Policial reage e mata dois assaltantes na Cidade dos Funcionários ...
30 mar. 2010 ...

Se a polícia salva e mata e mais salva do que mata, o que está sendo feito para salvar os policiais para que matem menos? As afirmativas iniciais servem para modificar o quadro da vida real que todos os cidadãos conhecem ou se prestam para projetar as figuras que as proferem?

Curiosidade - OAB: emenda que tira do MP controle da polícia repõe equilíbrio do processo

Do portal do Conselho Federal da OAB
Fortaleza (CE), 27/05/2010 – O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, saudou hoje (27) a aprovação da admissibilidade, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, de uma emenda constitucional que cria o Conselho Nacional de Polícia, formado por integrantes da sociedade e da própria polícia, pondo fim ao controle externo feito pelo Ministério Público. Na avaliação de Ophir, a emenda impõe equilíbrio ao trâmite correto do processo e propicia as condições ideais para que cada um exerça melhor o seu papel. “Cada um tem uma função: a polícia investiga, o Ministério Público acusa, a advocacia defende e o juiz julga. Quebrar essa lógica é desequilibrar por inteiro o processo”.
Ophir explica que o controle externo da polícia pelo MP estava previsto na Constituição. No entanto, o MP não conseguia exercê-lo como deveria e, quando tentou fazê-lo, verificou-se que isso seria algo extremamente danoso, uma vez que o MP, sendo parte no processo, não poderia ser também o ente a produzir as provas. Exatamente para atacar esse desequilíbrio o Conselho Federal da OAB ajuizou, junto ao Supremo Tribunal Federal, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) 4220, que aguarda julgamento sob a relatoria do ministro Eros Grau. “Nosso objetivo foi exatamente esse: o de corrigir esse desequilíbrio na relação processual, pois não haveria como existir tratamento isonômico se o MP continuasse encarregado do controle da polícia”.
Ainda na avaliação de Ophir Cavalcante, permitir que o MP continuasse a cargo do controle externo desacreditava a polícia e também o próprio MP. “Esta tem que ter um controle externo sim, assim como existe para a magistratura e para o MP, mas este deve ser um controle exercido pela sociedade, não por um órgão que seja o próprio autor da ação – o Ministério Público”, afirmou o presidente da OAB, acrescentando que essa emenda em nada retira do MP a relevância do papel que possui no processo. As informações são do portal do Conselho Federal da Ordem do Advogados do Brasil (OAB).

E agora???

Como reconhecer um pseudo-especialista em segurança pública

Tomei a liberdade de copiar o texto de Alexandre de Sousa. 05/10/2006, polícia militar do Rio, postado no blog Diário de um Policial Militar, por acreditar que devemos, todos os policiais, civis e militares, discutir esse papel desenvolvido pelos "especialistas" em segurança pública.
Escreveu Alexandre de Sousa, que não conheço pessoalmente: "Esses “profissionais” estão em franca expansão em nosso país e talvez em pouco tempo sejam tão numerosos quanto os especialistas em futebol, aqueles técnicos não contratados que tem todas as fórmulas mágicas para ganhar o campeonato e apontam os infinitos erros do técnico titular.
Quem dá a dica para reconhecê-los é
Décio Leão, capitão da Polícia Militar de São Paulo. Em seu irônico “Manual EPC (Embusteration Picaretation Corporation) para Especialistas em Segurança”, mostra os “fundamentos necessários para a atuação desses consultores de ocasião”. O pseudo-especialista em segurança pública é um profissional que goza de grande respeito, aparece na mídia, faz assessoria dos nossos governantes e até interfere no trabalho da polícia. Algumas vezes eles conseguem até elevados cargos públicos. Segundo Décio, os pseudo-especialistas em segurança pública trazem consigo algumas caraterísticas em comum: Nunca foi policial, não tem nenhum vínculo com a Instituição ou não mesmo a conhece. Isso não impede que ele fale dela com propriedade, dizendo como ela deveria fazer seu trabalho. Possui formação genérica. Seja engenheiro, administrador, economista, sociólogo, psicólogo ou bacharel em direito, o pseudo-especialista em segurança pública já estudou “profundamente” o assunto e participou de alguns seminários.
Aparece bastante na mídia. O pseudo-especialista em segurança pública não pode deixar de aparecer na mídia, quer seja imprensa escrita, falada, televisionada ou internetada. Não se mede a qualidade deste profissional pela sua experiência profissional ou sua formação específica. É a quantidade de vezes que ele aparecer na imprensa que irá dar a sua qualificação de suposto conhecimento e experiência. Fala o óbvio. O especialista em segurança costuma ter soluções mágicas para solucionar o problema da segurança pública (bem semelhantes aos
discursos eleitoreiros para o assunto). Por exemplo, o especialista em segurança deve afirmar que as autoridades policiais precisam “intensificar o policiamento preventivo” ou “investir em inteligência policial”. Quanto mais óbvia for a solução mágica, melhor será o efeito “como-ninguém-pensou-nisso-antes”. E obviamente, o especialista não precisa dar detalhes sobre como serão conseguidos os recursos humanos, materiais e financeiros, qual o impacto sobre o orçamento e outros problemas que “são meros detalhes técnicos”. Faz a polícia parecer incompetente. Ao comentar os problemas de segurança, as crises e os problemas em ocorrências policiais, o pseudo-especialista em segurança pública mostra como a polícia errou, o que ela deixou de fazer e o que ela poderia ter feito. Sutilmente, dá indicações de a polícia não sabe fazer bem o seu serviço."
E segue seu texto falando sobre a impressão que todos os policiais tem sobre os especialistas: parecem, mas não o são. Mas não poderia afirmar isso sozinho já que tenho o propósito de discutir esse tema com eles próprios (os especialistas) para que digam onde foi que se especializaram e o que desejam fazer com a polícia e com os policiais.