O QUE É ISSO COMPANHEIRA???

Seria divertido se não fosse dramático e constrangedor. Será que para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos teremos que dispor de uma bomba nuclear para garantir a segurança dos eventos esportivos?


A notícia

"Exército posiciona mísseis para abater ameaças ao Riocentro Canhões podem atingir alvo a até 3 km de altitude e 4 km de distância. Ordem para derrubar inimigos ou aeronaves suspeitas parte da presidente."


Soldados posicionam míssel nesta quinta-feira (14) para proteger  região do Riocentro (Foto: (Foto: Brigada de Artilharia Antiaérea/Divulgação))Soldados da Brigada de Artilharia Antiaérea, em foto divulgada nesta quinta pelo Exército
Radar anti-mísseis protege nesta quinta-feira (14) evento mundial de possíveis ataques (Foto: (Foto: Brigada de Artilharia Antiaérea/Divulgação))
Radar anti-mísseis, em foto tirada nesta quinta
(Foto: Brigada de Artilharia Antiaérea/Divulgação)

"O Exército posicionou canhões e lançadores de mísseis em um círculo de 4 km ao redor do Riocentro, principal local de eventos da Rio+20, para abater aeronaves suspeitas em caso de uma possível invasão ao espaço aéreo onde estarão reunidos mais de 130 chefes de Estado, segundo o general Marcio Roland Heise, que comanda artilharia antiaérea brasileira.
O general diz que 300 militares especializados estão trabalhando desde o início da semana para “fazer frente a qualquer tipo de ameaça que tenha a intenção de atacar aquele lugar”.

Entre o armamento disponível estão canhões Oerlikon e Fila/Bofors de 40 mm, além de mísseis portáteis russos Igla, capazes de destruir aviões ou helicópteros com apenas um disparo. A quantidade de armas e misseis disponíveis não foi divulgada. Cada míssil custa cerca de US$ 80 mil (R$ 165.600).

“Estaremos em locais estratégicos e de forma mais discreta possível, para que possamos camuflar nosso dispositivo. Não há a necessidade das pessoas ou de possíveis inimigos saberem ou identificarem nossas posições”, acrescenta o general, em entrevista ao G1.

Tanto os misseis como os canhões são utilizados para alvos de baixa altitude (até 3.000 m) e a até 4 km de distância. Os misseis são do tipo “atira e esquece” - guiados por atração infravermelha e obedecem a uma programação de um software e sincronizado com o movimento do alvo no radar.

Entre 8 e 23 de junho, o espaço aéreo sobre o Riocentro estará bloqueado pelo Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra). Apenas aeronaves previamente autorizadas podem passar pelo local, como aviões e helicópteros militares, de segurança pública e de serviços médicos.
A altitude controlada e bloqueada na região é ilimitada. A partir do dia 8, o cerco compreende uma área de 1 km ao redor do Riocentro. A partir do dia 16, o limite é expandido para um círculo de 4 km, segundo o Departamento de Controle do Espaço Aéreo."

canhao (Foto: Brigada de Artilharia Antiaérea/Divulgação)Um dos canhões que será usado para abater aviões suspeitos. Arma não ficará visível ao público (Foto: Brigada de Artilharia Antiaérea/Divulgação)

"Hipóteses de ataques
Entre as hipóteses para o disparo de um míssil, estão a invasão do espaço aéreo de aeronaves militares não autorizadas, helicópteros, aviões de ataque ou sequestrados e até drones (aeronaves remotamente tripuladas), que possam estar equipados com armas ou sistemas de monitoramento e inteligência, como rádio, câmeras ou envio de informações não autorizadas.

Questionado sobre se um avião for sequestrado por terroristas algum dos aeroportos do Rio de Janeiro com o objetivo de ser jogado contra o Rio Centro, o general disse que a decisão de abatê-lo seria da presidente Dilma Rousseff.

“São vários tipos de ameaças que podem acontecer, como aeronaves que podem entrar ilegalmente naquela área. Pela lei brasileira, quem decide o abate da aeronave é a Presidência da República ou a quem ela delegar a responsabilidade. Ela é quem tem a decisão, efetivamente, de mandar fazer o disparo ou não. Se formos atuar sobre uma aeronave, a ordem parte da Presidência”, explica.
Acima da altitude de 3.000 m, a responsabilidade de abater ou conter possíveis ameaças será de caças da Força Aérea Brasileira, que também estarão posicionados para interceptar aeronaves que se aproximarem do Riocentro."
Arte espaço aéreo da Rio+20 (Foto: Arte/G1)
Matéria divulgada  no G1, internet, Tahiane Stochero, em São Paulo

Marcio Thomaz Bastos, Tarso Genro e José Eduardo Cardozo

"Cardozo critica o corporativismo de juízes, promotores e agentes de segurança pública."
Mesmo tentando respeitar a autoridade do atual Ministro da Justiça não há como deixar de perceber  a diferença entre sua atuação e a postura dos ministros da justiça que o antecederam no governo do ex-presidente Lula. Com uma carreita legislativa o atual ministro "denuncia" o corporativismo dos profissionais da área de justiça e polícia, como se tal fato fosse responsável pelo estado de insegurança que vivemos. Esquece o nobre ministro, que apenas agora se debruça sobre as questões de polícia e segurança pública, que os governos e governantes têm sido, por seu corporativismo, obstáculos para a modernização das atividades policiais. Pagando salários ridículos para a complexidade das atividades que executam os policiais, financiando melhorias que não atingem os serviços policiais existentes a mais de cinquenta quilômetros das capitais dos estados, esperam que policiais e suas corporações operem milagres no controle e na redução da violência e da criminalidade.
O poder de polícia que está a imaginar poderia, quem sabe, modificar às condições miseráveis de vida a que estão submetidos nossos jovens que são as maiores vítimas e autores de crimes. O Brasil enquanto não tratar a questão de segurança pública como merecedora de um ministério da segurança, composto de profissionais de segurança, continuará dependendo do ministério da defesa que tem, por afinidade de atribuições, mais competência do que o ministério da justiça para tratar de segurança pública.
"O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse hoje (12) que o comportamento político de juízes, promotores, policiais e outros agentes de segurança pública atrapalha a solução dos problemas da área. Para Cardozo, o corporativismo e o “jogo de empurra” dos grupos organizados colaboram para o aumento da criminalidade e para a “desintegração federativa” no tratamento das questões de segurança.
“Vivemos um 'jogo de empurra' em que as pessoas, em vez de assumir responsabilidades, buscam culpados. Nossos agentes públicos colocam interesses corporativos acima dos interesses públicos”, denunciou o ministro, destacando que essa é uma situação generalizada. Cardozo fez as críticas ao comentar os resultados de um mutirão nacional iniciado no ano passado para resolver milhares de casos de homicídios que estavam sem resposta.
Após participar de evento no Conselho Nacional do Ministério Público, o ministro disse ser improvável que a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) entrem greve durante a Conferência Rio+20 porque as duas categorias sabem da importância que o encontro representa para o país. “Eles saberão diferenciar suas reivindicações sindicais, que serão negociadas em momento oportuno, daquilo que é importante”.
Segundo a Federação Nacional dos Policiais Federais, que representa cerca de 13 mil associados, não há qualquer indicativo de greve da categoria. Por outro lado, diversos setores do serviço público federal iniciaram paralisações em todo o país cobrando aumento salarial e melhorias nas carreiras."

Diariamente vibramos com relatos humilhantes como se fôssemos inatingíveis as mesmas exposições.

                      "O ser humano sente prazer em ver o outro (o devedor, o acusado ou condenado) sofrer ou ser humilhado, sobretudo, quando possível, publicamente (e midiaticamente)."

O texto abaixo demonstra com muita clareza que nosso sentimento de justiça e sofrimento não é tão sincero assim. A partir da exposição midiática a que estamos expostos passamos a manifestar nosso sofrimento de forma pouco sincera e, muitas  vezes, com caras e bocas que muito se assemelham a de personagens que assistimos nas telenovelas.
Pessoas que pedem justiça choram na frente de câmeras de televisão como se estivessem efetivamente sofrendo, mas com foco no minuto de fama decorrente de um fato real e traumático  deixado de lado pela "necessidade humana" de aparecer na mídia com uma aparência ou manifestação condizente ao interesse dos produtores de programas sangrentos. 
Temos esquecido que, como seres humanos, somos imperfeitos e causadores de todo o mal existente nas relações com nossos semelhantes. Chorar como vítima e vibrar frente ao sofrimento de nossos semelhantes não nos dá nenhuma nobreza.

 

"Cachoeira, na CPMI, optou por exercer o direito constitucional ao silêncio e ouviu da senadora Kátia Abreu (PSD-TO) a seguinte exortação: "Estamos perguntando para uma múmia. Não vou ficar aqui dando ouro para bandido. Nós estamos aqui para trabalhar". O senador Demóstenes optou pelo constitucional direito ao silêncio e ouviu, na CPMI, transmitida ao vivo, cobras e lagartos do deputado Sílvio Costa (PTB-PE): "O senhor, que faz parte da quadrilha do Cachoeira, não vai para o céu porque o céu não é lugar de mentirosos". O senador Pedro Taques (PDT-MT) ponderou que ninguém pode ser tratado com indignidade nem humilhado e foi aí que o deputado, aos berros, falou em hipocrisia, demagogia, f.d.p., merda etc.
Um vídeo caiu nas redes sociais, em maio de 2012, mostrando as humilhações midiáticas do policialesco Brasil Urgente Bahia, conhecido como "O sistema é bruto" (Band BA). Isso acabou gerando um grande ruído (uma sacudida) na (normalmente) anestesiada sensibilidade social. Uma repórter (loira), enquanto entrevistava um jovem (negro) de 18 anos acusado de roubo e de tentativa de estupro, perguntou-lhe se ele já tinha feito "exame de próstata" (e se tinha gostado disso!) para constatar se houve ou não violência sexual contra a suposta vítima. A repórter ridicularizou e debochou do seu entrevistado, abordando-o de forma "preconceituosa", "racista" e "elitista".
O que existe em comum em todo esse grotesco sensacionalismo midiático violador dos direitos humanos, chamado por alguns de "datenização do direito penal": o deboche, o preconceito, o desrespeito, o propósito de humilhar, ofender, desprezar ou menosprezar as pessoas acusadas de um crime. Em poucas palavras: essa é a pena de humilhação midiática, que não só não está prevista em nenhuma norma legal ou constitucional, como também contraria as regras básicas da Ética, entendida como "a arte de viver bem humanamente" (Savater). A pena de humilhação midiática, por mais prazerosa que seja, por mais apoio popular que tenha, denigre a Qualidade Ética da nossa República.
Qual é a origem histórica desse abominável comportamento sub-humano? Vem, segundo Nietzsche (A genealogia da moral), da pré-história, antes do nascimento da ideia de Estado. O contribuinte, o jornalista, o parlamentar, o policial, o juiz, o promotor etc., quando praticam ou exigem o escárnio do suspeito ou acusado, cumprem o mesmo papel do antigo credor frente ao seu devedor, que não honra o compromisso assumido. Quem é acusado de quebrar a ordem jurídica (o inimigo) teria que assumir a posição desse provecto devedor, um inferior, que deve ser tratado de forma pejorativa, humilhante, vexatória, pelo superior, que experimenta uma sensação de poder ao infligir dor e humilhação nesse "devedor".
Como se vê, é da relação de uma dívida não honrada que nasce a punição degradante do devedor. Por meio da punição, "[...] o credor participa de um direito dos senhores; experimenta enfim ele mesmo a sensação exaltada de poder desprezar e maltratar alguém como inferior". Com esse poder de executar uma pena ao devedor, "o credor tem, a certo modo, ao menos o poder de ver seu devedor desprezado e maltratado."*
Quando uma promessa é descumprida ou um acordo desonrado (ou seja: quando alguém é acusado de um crime), a dor daquele que deve (do acusado) e que causara um dano serviria como equivalente pelo desprazer causado pela promessa não cumprida (pela violação da norma). A humilhação do acusado gera prazer, um prazer equivalente à satisfação do crédito. O castigo (sobretudo quando humilhante) funciona "como uma espécie de reparação por um dano sofrido e a sensação de prazer ao causar sofrimentos àquele que lhe deve (ao acusado) é o equivalente por tal dívida."
Há uma equivalência (subjetiva, psicológica) entre a dor infligida contra o infrator e o dano causado (ou supostamente causado) por ele. Existe uma espécie de compensação entre a humilhação do acusado e a ofensa por ele praticada (ou supostamente praticada). O ser humano sente prazer em ver outro ser humano (o devedor, o acusado ou condenado etc.) sofrer ou ser humilhado, sobretudo, quando possível, publicamente (e midiaticamente). A raiva (bem como a vingança) é descarregada sobre o acusado como uma forma de punição extralegal pelo que ele fez. É dessa forma que se explica a pena de humilhação midiática, que vem da pré-história, retratando momentos pré-modernos de comportamentos sub-humanos. Luiz Flávio Gomes é professor, jurista e membro da Comissão de Reforma do Novo Código Penal" Site Brasil 247.

Rio +20 e a sustentabilidade que não garante vidas.

 

Cartazes espalhados pela cidade trazem a frase: 'Na Rio+20 mantenha a cidade limpa, fique em casa'. (Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio de Janeiro)Cartazes espalhados pela cidade trazem a frase: 'Na Rio+20 mantenha a cidade limpa, fique em casa'. (Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio de Janeiro)
"A Prefeitura do Rio informou na noite desta terça-feira (12) que não é a responsável pela produção, distribuição ou colagem dos cartazes encontrados em muros e postes de ruas do Centro da cidade, com a logomarca da prefeitura e a frase: “Na Rio+20 mantenha a cidade limpa, fique em casa”." G1

Comentário do Blog: possivelmente não tenha sido a prefeitura do Rio autora do apelo para "manter a cidade limpa" sem a presença da população. Mas pela forma como irão isolar as autoridades participantes do evento, assim como pela maciça segurança das Forças Armadas, com mais de quinze mil militares para "ostentar" seus instrumentos de guerra para tentar intimidar jovens criminosos e miseráveis. Moradores de bairros e favelas onde os investimentos públicos são tão insignificantes quanto suas compreensões sobre qual "sustentabilidade" é buscada.
Sabem, ao contrário dos participantes do evento, que as condições que o estado brasileiro lhes oferece não garante de estarão vivos daqui a um, dois ou três anos.
Sustentabilidade deveria ser debatida para garantir o direito e o respeito aos jovens pobres desta Nação que estão condenados ao extermínio. 
Sustentabilidade e futuro não pode continuar sendo preocupação apenas de quem têm escola particular, profissão, trabalho, diversão, esporte, e outras necessidades básicas.
Aqueles que lutam para ter o que comer no dia seguinte acham bonito e engraçado o grande desfile de gente e equipamentos públicos que sabem não garantem suas vidas, usados para ostentar uma condição que nunca usufruirão. 

Negros são menos de 1% de cursos de ponta da USP

"Em cinco anos, os cursos de Medicina, Direito e Engenharia da USP (Universidade de São Paulo) - considerados de ponta - matricularam 77 alunos preto. O número refere-se a 0,9% dos matriculados nas carreiras entre 2005 e 2011. Os dados de 2012 não estão disponíveis no site da Fuvest e a universidade não os forneceu.

Na quinta-feira (31), a Faculdade de Direito aprovou recomendação para que a USP adote o sistema de cotas raciais. A decisão será encaminhada ao Conselho Universitário, instância máxima da USP, a quem caberá discutir a adoção da medida. O conselho é, tradicionalmente, contrário à ideia de cotas.

A USP entende que o sistema de bônus do Inclusp (Programa de Inclusão Social da USP), voltado a alunos de escola pública, independentemente da cor da pele, já atende as demandas por inclusão. O Inclusp foi adotado a partir de 2007.
Em 2012, a universidade matriculou 28% de alunos vindos de escolas públicas. No ano anterior, esse índice foi de 26%. Somente nos três cursos citados, 12% dos alunos matriculados em 2011 participaram do Inclusp.
A proporção de negros e pardos, que em geral constituem os beneficiados das cotas, foi em 2011 de 13,4%, dos quais 2,8% se declararam pretos. A proporção de 2011 é bem maior do que a registrada dez anos antes, por exemplo, mas ainda não reflete o perfil da população do Estado de São Paulo, que tem 34,6% de pretos e pardos. No Brasil, são 50,7%.

O diretor da ONG Educafro, frei David Raimundo dos Santos, ressalta que o sucesso do programa de inclusão da USP tem de se refletir nos cursos mais tradicionais. "Se a USP consegue com o Inclusp colocar pretos em Medicina e Direito, nos demais também terá inclusão." A reitoria informou que não seria possível entrevistar o reitor João Grandino Rodas sobre o tema." Agência Estado.