Vamos acabar com o trafico de drogas e armas e reduzir os homicidios

È surprendente a facilidade com que algumas autoridades "profetizam" acabar com o trafíco e outros crimes. Muito mais preocupante é a demonstração que fazem de não conhecer a dimensão do problema. De forma superficial e equivocada anunciam na mídia as mesmas ações que já foram realizadas incontáveis vezes.
O anuncio de um "novo" procedimento como que capaz de solucionar todo o imbrólio que cerca a complexa questão da segurança pública. Para os profissionais de polícia é constrangedor ouvir, a cada período, proposições que por antecipação já se sabe onde chegarão.Não se trata aqui afirmar que só policiais entendem de segurança.
Enquanto noutras áreas complexas (saúde, educação,ciência e tecnologia e tantas outras), são ocupadas por profissionais que tem formação e afinidade na segurança pública qualquer indicado já chega como "especialista" e com um novo experimento pronto. Na maioria das vezes sem ter se qualificado sobre a questão, sem nunca ter entrada numa delegacia de polícia, num departamento de perícia, presídio ou quartel da polícia militar.
Escolhe uma outra tese e passa a repetir "o novo caminho" que irá atingir seus objetivos políticos que nunca vão além da vontade de se manter no cargo. Não há o compromisso com o tema, com os policiais e muito menos com a população.
Tanto energia e tanto dinheiro investido em encontros, reuniões, viagens, palestras, promessas, etc. Dinheiro este que deveria ser investido diretamente junto à população.
Enquanto elaboram planos mirabolantes e fadados ao fracasso insistem em ignorar as necessidades reais a que estão submetidos os servidores de segurança pública que ainda vivem em condições do século passado. Tanto no que se refere a vencimentos quanto no que diz respeito às condições de trabalho.
Ações e debates "diversionistas" na midia sobre ciclo completo, unificação, corrupção, violência, perícia, etc., etc.
Emquanto simulam enfrentar essas questões se mantém distantes do debate que deveriam ter com os comandos das corporações que dirigem as políciais com o mesmo manual de trinta ou cinquenta anos atrás.
Não há até o momento nenhuma sinalização que possa garantir coragem política para enfrentar as velhas mazelas que garantem o entronamento de oficiais e delegados em detrimento daqueles que estão na rua atendendo os cidadãos.
Reduzir o tráfico de drogas, armas e homicídios não irá ocorrer enquanto não houver o necessário enfrentamento aos comandos das corporações para que reduzam as estruturas hierárquicas horizontalizando a carreira policial de forma que os melhores policiais possam contribuir para a modernização de suas corporações.
Enquanto ocupantes de cargos políticos continuarem seduzidos pela farda, pelo clarim e pela mordomia serviçal das organizações policiais estarão fazendo um desfavor e permitindo que as drogas, armas e homicídios continuem atemorizando nossa população.