Por mais que encaminhem projetos de inclusão social ainda falta aos governantes coragem para demonstrar esse pretenso avanço.

Resgato da internet parte da entrevista do ministro do TST Carlos Alberto Reis de Paula que, além de tratar sobre questões do judiciário, foi questionado sobre a questão racial na magistratura brasileira. Manifestou seu alerta aos negros brasileiros acreditarem que podem ocupar grandes cargos. Respeitosamente, deveria dirigir seu aviso, aproveitando-se do importante cargo que ocupa, aos gestores políticos deste País e a sociedade. 
Sua afirmativa sobre o aumento de negros na magistratura também é muito frágil, já que o exemplo citado, Joaquim Barbosa, ocupa o cargo por ter sido indicado ao STF, pelo presidente Lula que desejava um negro naquela corte.
É fácil concluir de que não basta o negro acreditar estar capacitado para atuar em altos cargos da república. É necessário que aqueles que fazem nomeações e indicações para cargos políticos (que acabam decidindo a vida das pessoas) tenham a consciência de que existem negros brasileiros capazes de executarem bem funções de ponta.
A inclusão dos negros em cargos de decisão não pode ficar restrita apenas a concursos públicos, num país com tantas desigualdades para a formação superior. As decisões que afetam a vida das pessoas, predominantemente, são políticas. E os cargos políticos ocorrem, na maioria, por indicação, onde não é retratada a miscigenação brasileira. 
Hoje o que se vê (no primeiro, segundo e terceiro escalões) são indicações que preservam o perfil dominante da sociedade. Raras são as indicações de negros para postos de destaque. Por mais que encaminhem projetos de inclusão social ainda falta aos governantes coragem para demonstrar esse pretenso avanço, já que suas indicações não retratam a maioria da população deste País.
Alguém pode indicar um negro no primeiro escalão governamental falando em nome do Brasil ou representando o povo brasileiro em evento internacional? Não pode ser da pequena e orçamentariamente pobre SEPPIR - Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial?Quem sabe em alguma Unidade da Federação, representando-a em Brasília em despacho com a Presidenta? Ou, pode ser, um Secretário Municipal conversando com o governador do Estado?
 
 
A democracia racial retratada pelo governo americano é muito mais real do que a composição dos governos brasileiros. Antes de Obama já haviam sido nomeados secretários de estado tais como Colin Powell e Condoleezza Rice.


 
 Parte de entrevista publicado na internet pelo site Justiça em Foco, 23/01/14.
O senhor é um dos poucos representantes negros da magistratura brasileira. Como avalia sua carreira sob esse aspecto?
Ministro Carlos Alberto Reis de Paula - Se olharmos hoje para a presença do negro no judiciário, tem aumentado. Quando eu entrei, era muito reduzida. Eu fui o primeiro ministro negro nomeado em grau superior. Hoje, temos o STF presidido pelo Joaquim Barbosa. As coisas mudaram. Qual o sentido disso? Tem valor histórico, mas tem também um motivo para reflexão. A sociedade brasileira tem que criar oportunidades para que todos os seus segmentos representativos estejam presentes nos âmbitos politico, social e econômico. Para que todos os negros possam acreditar que é possível ocupar grandes cargos de representatividade na sociedade brasileira. Ações afirmativas são tão importantes que a própria Constituição prevê seu uso. O que se busca com ação afirmativa é uma melhor qualificação, para que se haja uma igualdade de oportunidades entre os indivíduos.