Governo Federal intervém no Distrito Federal com 133 PMs da Força Nacional

Na Capital Federal as forças policiais têm, sem sombra de dúvidas, as melhores condições de trabalho quando comparadas com os demais Unidades da Federação. Podem não ser as ideais mas há de ser considerado que com os salários que são pagos, os equipamentos que dispõem e o número de profissionais existentes possuem excelentes instrumentos para execução da atividade policial.
 
Sabe-se, há muito tempo, apesar da postura da mídia e dos especialistas que dizem o contrário,  que as forças policiais têm um limite de responsabilidade pela manutenção da segurança em nossas cidades. É hipocrisia imputar-lhes responsabilidade exclusiva pelo aumento ou redução da violência. Vivemos num País onde a insegurança social atinge mais da metade da população permitindo que  gerações e gerações de jovens permaneçam abandonados a própria sorte, pela falta de políticas públicas de educação, saúde, trabalho e emprego, dentre outras tantas.
 
Vá a qualquer hora nas vilas e bairros das cidades satélites e nas regiões metropolitanas de nossas capitais, onde moram familías de baixo poder aquisitivo, e vejam a quantidade de jovens que circulam de um lado para o outro sem ter ocupação digna a não ser aprender pequenos golpes para poder comprar um refrigerante, um lanche ou coisa parecida.
 
Não venham com a conversa de que eles deveriam estar estudando se nem escola estão a sua disposição. Não sugira que poderiam estar praticando esportes sem antes verificar o lixo que são as áreas de lazer a eles disponibilizadas, quando existem.
 
Enquanto tudo isso acontece a estrutura nacional que afirma ser responsável pela política de segurança do governo remenda orientações sem nenhum projeto transparente que tenha capacidade de reduzir os índices referidos.
 
A Força Nacional de Segurança - FNSP, criada para padronizar treinamento e definir equipamentos a serem disponibilizados para as policiais estaduais, mais uma vez é manchete nacional porque, com 133 policiais (cedidos dos Estados para o Ministério da Justiça) irá atuar no Distrito Federal para melhorar o policiamento.
 
Os policiais militares e civis do DF estão eriçados pelo condição que lhes é imposta. O Governo do Distrito Federal e da União, de forma tácita, admitem que mais de vinte e quatro mil policiais civis e militares do DF necessitam ser socorridos por 133 representantes da FNSP.
 
Agora observe o comentário (UOL 28/08/12) elegante do comandante da Polícia Militar do Distrito Federal.
 
"Conforme avaliação do comandante da Polícia Militar, coronel Suamy Santana. "O efetivo que está sendo ofertado, numa escala de 12 por 48 horas, dá algo como 20 homens atuando por dia. É um apoio importante, mas, efetivamente, é muito ínfimo dentro da realidade da segurança pública”, admitiu o comandante, acrescentando que, dos 133 agentes da Força Nacional que vão atuar na divisa do DF com Goiás, 53 já haviam sido cedidos pelo próprio Distrito Federal ao Ministério da Justiça."
 
“Raciocinar que isso é um choque na segurança pública é uma distância muito grande. Esta é uma situação pontual”, concluiu Santana, negando que a presença da tropa nacional tenha causado mal-estar entre os policiais militares, mas revelando que o comando da Polícia Militar não foi previamente consultado sobre o acordo de cooperação firmado pelo governo distrital com o Ministério da Justiça.

“Houve sim um mal-estar causado pela má interpretação da decisão de aceitar a cooperação, mas isso porque muitas vezes a informação é truncada, o que cria um mal-estar entre os policiais que estão lá na ponta, fazendo seu serviço de forma benfeita, pois, em um primeiro momento parece uma intervenção e não é nada disso", disse.
 
O uso da marqueteira FNSP ao invés de ser compreendido como uma ação qualificado do Governo Federal deve ser vista como um remendo pela falta de ações permanentes que revigorem as polícias, qualificando-as e estabelecendo estratégias para que cumpram com eficiência e eficácia suas atribuições.
 
Por outro lado, deve acontecer a ampliação do socorro imediato as gerações de jovens que se perdem pelas ruas e a dignificação dos presídios brasileiros onde encontra-se o maior número de criminosos que deveriam ser recuperados para evitar a reincidência.   
 
Se o Distrito Federal precisa de 133 policiais da Força Nacional para reduzir a violência e criminalidade imaginem quantos policiais serão precisos naqueles Estados que não têm garantido um Fundo Constitucional?